Como ter sede de escrever, desejo insano de digitar coisas que não vão lhe valer de nada. Ou talvez até valha algo, a sua consciência. Coisas fluem naturalmente depois que você desabafa, desabafar com o computador pode ser um modo sutil, porém gentil. Computador, meu amigo, não o melhor, mas já era. Talvez por preguiça, o computador tenha se tornado um grande amigo, o amigo que posso acariciar com os dedos, e me sentir realizada, sem pudor. E essa tal liberdade me dá o prazer do ato de desabafar, à sós, com ninguém. Desabafo comigo mesma, que é mais zeloso, me parece mais gostoso, menos penoso, e escancarado. Não sinto olhares pecaminosos recaíndo sorrateiramente sobre minha cabeça. Cabeça esta voando livre sobre todos os pensamentos que a fazem pesar, repuxando-os para o funil que em seguida me fará ter a sensação de serenidade. Por isso desabafo, desabafo dentro do escuro, onde ninguém pode me ver, me sentir, me tocar. Sou apenas eu, e aquilo que me consome. Apenas eu, tentando me decifrar, e me devorando em raiva por não completar qualquer que seja a tarefa que tenha obstinado à mim.
Incomplete?
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