terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cruel intentions

Ela sentia o toque das palavras ardendo em sua pele sempre que conversavam. O cheiro de seu amante parecia atravessar todas as fronteiras possíveis - de espaço e de tempo, então, nem se fala-. Era como se só com o falar, só com o olhar, só com o monólogo que ele não se importava em proferir, ele conseguisse penetrá-la mais fundo do que qualquer outro jamais conseguira através das relações carnais comumente vivenciadas por ela.
Tudo com ele era diferente. Nunca fora, disso ela sabia. Mas de semanas para cá vinha sendo, e isso que importava.
Tudo é uma questão de tato. E se a este tato cabia o fato de se aperceber, e ver, bem, isto agora ela fazia muito bem. Enxergava nele todas as imperfeições possíveis, apaixonava-se por suas fraquezas, por sua falta de beleza. Não que não fosse belo, pois sim, era mais belo que todos os belos. Sua beleza ofuscava a dela própria. Quando se via parada frente à frente com ele, notava que todas as coisas se comprimiam de tal forma que parecia que o universo havia de estar menor, só para que o espaço entre eles diminuísse. Ansiosamente ansiava pelo dia que estariam tão próximos ao ponto de tocarem-se, mais do que com as palavras que ele proferia, do que com o calor que emitia, mais do que isso. Esperava comprimir tudo no breve espaço de um beijo...

Máquinas do tempo já não são mais necessárias...

Pensamentos são coisas tão onipotentes... Penso eu que quando se tem muito tempo para pensar, ou ficarás louco, ou cego. Cego de paixão. Poderá observar os detalhes mais sórdidos e sólidos como jamais notou. Vivemos em piloto automático, sem prestar muita atenção na sucessão de acontecimentos que nos ocorrem. Depois, se paramos para observar os fatos isoladamente, notamos tantas nuances que não havíamos tido chance de reparar antes, que cada momento passa a ser único. Não por ter sido vivido, mas sim por estar vivo dentro de nossas mentes.

sábado, 7 de novembro de 2009

You only live once...

Conviver na instituição intitulada de Familia é algo mais complicado do que eu imaginei um dia, se quer, que fosse ser. Tanto na sua Familia de sangue, aquela que é porque é, tanto naquela Familia que você mesmo escolhe, que são os seus amigos.
É tão complicado distinguir quem realmente está do seu lado, que QUER estar ao seu lado, e aqueles que estão apenas por estar. Acho que esse é um dos maiores problemas que eu estou passando. Nada novo, óbvio, eu sei que muita gente vive na mesma contradição. Mas não é algo que eu ache bom passar, porque causa aquela maldita insegurança, e se tem algo que eu desprezo muito é me sentir insegura, porque dai surgem tantos outros sentimentos maléficos... Como o medo, angústia, sensação de vazio, solidão. E tudo isso junto não dá certo, certo? Haha, é.
Às vezes eu acho que quando me dizem que tudo poderia ser mais fácil, só bastava eu querer, é uma grande bobagem, porque eu queria, eu quero, muito, que as coisas melhorem pra mim de um modo geral, mas nem querendo, e nem tentando fazer por onde, parece que as coisas mudam um tiquinho. Ou se mudam... É por um dia, uma semana, um mês, pequenos períodos, e logo depois... Pff, tudo de volta ao normal-anormal de sempre.
Além de tudo isso, eu me vejo agora chorando loucamente durante a noite como acontecia há mais de um ano atrás. E cara, é a pior sensação do mundo, porque eu me sinto exatamente igual ao jeito que eu estive ano passado. A cada gotinha de lágrima que rola pelo meu rosto, eu paro e penso: "Meu Deus, não acredito que eu choro pensando nas mesmas coisas... Ainda?!". Mas quando eu digo mesmas coisas, não são exatamente as mesmas coisas... São só momentos que estão se repetindo, de outras maneiras, e isso me deixa tão triste.
Perda. É isso, só isso. Eu não sei conviver com nenhum tipo de perda. Principalmente perda de pessoas ou objetos pessoais que são imprescindíveis para minha felicidade. Como por exemplo elásticos de cabelo, que eu fico atacada se eu perco - e eu sempre os perco, novidade - mas isso foi um exemplo bobo - ou então quando eu perco alguém antes mesmo de tê-la conquistado do jeito que queria, OU AINDA se eu perco pessoas que eu poderia jurar que mesmo depois da minha morte ainda estaria ligada com elas de alguma forma.
Mas não tem nada não... Deus existindo, ou não, o que quer que seja, a vida, eu acho, sempre tira uma coisa de você, e depois te dá em dobro. Pena que depois ela te tira mais uma vez, e com certeza o que é retirado de ti é muito maior e muito mais importante do que as duas coisas que lhe são concedidas. A rapadura é doce mas não é mole não HAHAHAHA.
Mas pensando bem talvez eu nunca tenha merecido ganhar duas coisas de uma vez... É sempre alguma coisa, pequena, e grande ao mesmo tempo, que sempre consegue me deixar feliz por um pequeno período de tempo. E mesmo me negando a ficar satisfeita com a vida que eu levo, com as pessoas que eu tenho, com o modo como elas me tratam, com o jeito que convivemos, sempre querendo mais, e melhor, no fim tá tudo certo... Como dois e dois são cinco.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Colo

Um Deja-Vù é todo aquele momento em que você sente como se a situação em que vive já tivesse ocorrido anteriormente. Mas o que andei vivenciando foi algo muito além de um simples Deja-Vù, sim, claro, pois as situações, os momentos, exceto as pessoas, estavam se repetindo de algum modo. Não por completo, pois muitas coisas mudaram - eu mudei - mas de qualquer maneira eu me vi diante do que pareciam serem os mesmos momentos, e não é que eu só arranjei saídas quando eu me coloquei a pensar do mesmo jeito de antes? E isso me surpreende, e por que? Porque eu pensei que tudo estava transformado, de um jeito ou de outro, como disse... Mas então notei que certas coisas nunca mudam... E o quê? Amor não deixa de ser amor, mesmo que o outro esqueça o que passou.
Sabe quando você começa a se perguntar o que fará consigo? Com relação a sua vida, as suas aspirações, seus desejos e vontades? Sabe quando você quer tudo?