terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cruel intentions

Ela sentia o toque das palavras ardendo em sua pele sempre que conversavam. O cheiro de seu amante parecia atravessar todas as fronteiras possíveis - de espaço e de tempo, então, nem se fala-. Era como se só com o falar, só com o olhar, só com o monólogo que ele não se importava em proferir, ele conseguisse penetrá-la mais fundo do que qualquer outro jamais conseguira através das relações carnais comumente vivenciadas por ela.
Tudo com ele era diferente. Nunca fora, disso ela sabia. Mas de semanas para cá vinha sendo, e isso que importava.
Tudo é uma questão de tato. E se a este tato cabia o fato de se aperceber, e ver, bem, isto agora ela fazia muito bem. Enxergava nele todas as imperfeições possíveis, apaixonava-se por suas fraquezas, por sua falta de beleza. Não que não fosse belo, pois sim, era mais belo que todos os belos. Sua beleza ofuscava a dela própria. Quando se via parada frente à frente com ele, notava que todas as coisas se comprimiam de tal forma que parecia que o universo havia de estar menor, só para que o espaço entre eles diminuísse. Ansiosamente ansiava pelo dia que estariam tão próximos ao ponto de tocarem-se, mais do que com as palavras que ele proferia, do que com o calor que emitia, mais do que isso. Esperava comprimir tudo no breve espaço de um beijo...

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