Tem tanta coisa acontecendo nesse momento. Meu quarto, calor terrível, mosquitos, verão, solidão. Até parece que essa é a época mais bonita do ano, tá mais para época mais ruim. Mais ruim, isso é certo de se dizer? Nem sei, ó.
Deu vontade de escrever como eu falo com todo mundo, todo dia. Acho engraçado esse termo de dizer "todo mundo", porque eu não teria paciência pra falar com todo mundo, porque nem todo mundo é interessante, apesar das pessoas serem interessantes nas suas desinteressantises. Existe isso, de-sin-te-res-san-ti-ses? Talvez não, mas inventei porque achei propício.
Sabe, tava relendo hoje a carta daquele cara, que não sou eu, mas é você. Não do Roberto Carlos, claro, que por um acaso está namorando com uma conterrânea minha, Alagoana, que mora aqui perto, eu acho. Quem sabe um dia terei minha chance com ele. Ou não, porque se parece muito com meu pai e seria um tanto quanto estranho chegar muito perto do Rei de modo sinuoso. Mas então, o cara é aquele que eu me apaixonei e que não sai da minha cabeça. Aquele cara que quando você beija, você sabe que esse tal beijo não vai te sair da cabeça por muito, mas muito tempo. De tal forma que o tempo passa e parece que cada detalhe se torna mais nítido. Deve ser porque eu fico revivendo as coisas tantas vezes que fica marcado demais. Talvez até o fato de as coisas terem ficado mais legais e mais bonitas naquele dia tenham sido apenas ilusão da minha cabeça. Mas é que a gente enfeita os momentos quando eles de alguma forma já são enfeitados por si só, dentro do nosso coração. Melodrama, melodoamor.
Já chorei hoje, nem sorri com essa história e eu achando que não ia mais chorar, mas será possível? Fico me perguntando até quando, até quando meu Deus do céu? Mas Deus nem sabe dessas coisas, ele tá bem mais ocupado com os problemas mundiais do que com minha cabecinha desorientada. Pelo menos descobri que um homem bonito se interessou por mim e ele tem barba, de verdade.
Eu ia começar outro parágrafo com "já alguma coisa", na verdade ia dizer que já havia passado das três da madrugada, mas então, esqueci o que ia dizer na enrolação de mudar o início do parágrafo. Ah, lembrei! Eu ia dizer que assim como com as comidas que como, que assim, não gosto de ficar repetindo as comidas senão eu fico enjoada delas, prefiro diferenciar na hora da escolha dos pratos, eu fico enjoada de iniciar parágrafos iguais. Imagino que isso seja TOC, até porque eu também tenho uma necessidade de acabar de comer as coisas em porções iguais. Vai saber, eu nunca neguei que sou meio doida da cabeça, mas na verdade ninguém é muito normalzinho não, a diferença é que gostam de agir como se fosse, etc, já dormi com esse assunto.
Então já que eu estou falando de comida, que aliás nesse momento nem estou com fome, porque comi coisas muito parecidas hoje: brigadeiro, leite com nescau e afins, ou seja, praticamente a mesma coisa só que um é leite condensado com nescau/chocolate em pó e outro é leite-leite e nescau/nescau, gostaria de ressaltar que apreciar as comidas é como apreciar um bom texto, ou até mesmo escrevê-lo. Só que a diferença é que quase nunca se fica saciado, de escrever ou de ler. No meu caso se eu pudesse escreveria muito, mas daí seria um problema, primeiro porque ninguém lê nada que eu escrevo, segundo porque ninguém lê nada que eu escrevo e terceiro porque ficaria (e fica) tudo amontoado por aí sem utilidade. Talvez na posteridade (tempos de outrora, adoro esse negócio), quem sabe, alguém leia alguma coisa que eu tenha dito e faça algum sentido pra alguém que eu não sei quem. Talvez algum futuro fã, porque pode ser que eu me torne alguém que sirva pra alguma coisa. No momento estou em busca disso, prometo. E caso você, meu fã, admirador ou amante futuro esteja lendo isso agora, guarde com carinho, pois saberei retribuir aqueles que me amaram quando eu não era ninguém.
É, acho que está bom por hoje. Ouvi uma música que queria enviar numa carta, mas deixa ela aqui de treinamento pra quem sabe depois eu crie coragem de colocá-la no papel. Foi por isso que falei de Roberto Carlos, mas acabei fugindo do assunto porque nem queria encará-lo, pois pensei na carta que deveria escrever mas que não tinha coragem o suficiente, vou fingir então que to escrevendo aqui, como se não existissem mais papeis, nem folhas, nem canetas, nem lápis. Sendo que papel e folha é a mesma coisa, ou será que não? Não sei para dizer e a preguiça de olhar no dicionário tá grande.
A música é...
Fui pegar a letra e vi esse vídeo com essa foto bonita, então deixa o vídeo, a letra escrita fica pra carta, adaptada.
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