quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lágrimas não são argumentos

Estou. Presente do indicativo do verbo estar.
Adoro este verbo. O verbo estar é o verbo da insegurança, por mais que passe uma certeza indiscutível. Você olha para o céu, e diz: -”Está chovendo.” Maior juízo de fato do que este, não poderia haver, certo? Certo. O verbo da desconfiança, com toda certeza. Por mais que você afirme algo, por mais que diga o quanto qualquer coisa está assim ou assada, de certa forma, ela jamais estará para sempre. Portanto tudo que está hoje, pode não estar mais do mesmo modo daqui um segundo.
Eu estou feliz. É uma incerteza, pois é somente um “estado” de espírito. Uma coisa que pode ser perene, ou não. Fico com a segunda opção. Não acredito em felicidade descomedida permanente. Até porque, na minha concepção, felicidade é bem daquele jeito, feita dos pequenos momentos, ou pequenos prazeres. Se bem que, no meu caso, encontrei-a bem ali, entre os pedaços maltrapilhos de um eu que não reconheço mais, um restinho totalmente destroçado de uma felicidade antes tida como inabalável. Encontrei, e resolvi cuidar daquele pequeno e inseguro sentimento como se dele dependesse a minha vida, e de fato, dependia. Não que vida sem felicidade não exista, existe, mas creio que apenas como um jeito de ainda estar por aqui, só por dizer que está, sem se envolver com nada especificamente. Porque, cá entre nós, as pessoas começam a ficar muito mesquinhas quando são muito infelizes. Mas como tudo que é demais (para o lado bom ou ruim), dura pouco, ou apodrece mesmo, ser feliz ao extremo, assim como se tornar uma pessoa ultra-infeliz, com toda certeza não é a melhor opção. O negócio é ir no miudinho, seguindo o ritmo, nenhum pouco coordenado, da vida.
Quando digo que estou feliz, acredito que estar é mais do que um modo de sobrevivência, é um ato de solidariedade perante à mim mesma, e o próximo. Próximo este que pode ser você, ou deixe isso pra lá e utilize apenas como modo figurado. Quando estou, permito-me sentir-me bem, sabendo do que um dia pode, ou não, calhar de acontecer. Assim como uma junção de coisas boas anda me ocorrendo, pode calhar que um punhado de coisas ruins passe a me atormentar. Então, apenas digo que estou, por um breve momento, de bem com a vida. E que amanhã, como vai ser? Nunca se sabe. Mas talvez ainda esteja satisfeita com tudo o bastante pra dizer que: -”Estou bem, e não tente acabar com a minha festa, porque ela só começa quando eu chego, e só termina quando eu quero ir embora.”

terça-feira, 21 de abril de 2009

C'est vous, seulment vous

Tem horas que a confusão insiste em se instalar dentro do meu peito. Me dá repulsa, não gosto de sentir-me desse modo. Mas existem horas… Ah, que horas… Horas em que apenas consigo pensar em ti. Toda irritabilidade, antes sentida devido aqueles murmúrios pitorescos, foi-se. Foi-se, e perdura em não voltar, mas… Até quando?
Quando pressinto sua presença ao redor, é quase como se eu pudesse sentir o breve ardor de seu hálito quente encostar em minha nuca. E eu sinto. Sinto tanto, que me faz arrepiar. Esse arrepio tristonho, e ao mesmo tempo alucinado, que passa tão depressa por meu corpo, que mal consigo acompanhar. Não seja por isso, este arrepio é mais denso que o ar. Quase paupável, de tão instigado em viver a me acompanhar.
Ah, se soubesses como sou tão carinhosa… Penso em te fazer um leite com torradas todo dia, santo dia. Te cuidar como se fosse minha cria. Te embalar, toda noite, santa noite, como quem reza para que a tempestade demore a vir, como quem pede que os trovões jamais tornem a assustar seu pequeno bibelô.
Poder te ter em minhas mãos… Em minhas ardententes, flamejantes mãos… Seria o que de mais glorioso existe. Pois olhar em teus olhos, e decifrar tudo que se esconde no mais profundo de sua matéria, ou até mesmo observar a plenitude de sua alma, ah, isso me bastaria de um tanto, não faz idéia. Mesmo que por algum acaso, fizesse idéia do quanto é vasto o meu querer, creio que não havia de entender. As confusões sempre tornam a perseguir-me, e assim não me deixam explicar, o quanto sinto prazer em te amar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

É quase lá

Meio da aula de estequiometria, quando de repente não está mais prestando atenção à nada. As terras da inconsciência começam a engolir-te por inteiro. Escuridão. Está entrando em outro mundo, em uma dimensão totalmente diferente da que ali está, córporeamente. Os sons antes discerníveis começam a se tornar apenas zumbidos ao longe, por conseguinte desaparecerem perante a profundidade da quimera. Sente, a cada batida desenfreada do coração, sua razão perder o controle da situação, deixa que tudo se simplifique em utopia. Não se sente mais o corpo. Um momento. Tudo se torna luz. Tudo se torna sentimento. Você voa como uma linda gaivota, apenas buscando o seu alimento. Gaivota, que come peixe ao invés de comer alpiste. Gaivota, aquela que deseja não ser o pássaro, quer ser o peixe. Viver do mar. Come sua própria vontade, dando um jeito de evoluir seu próprio destino. Ser pássaro. Você voa como um pássaro, mas tem desejos controversos. Se aproxima da água, ao avistar sua presa. Prepara-se para ser engolido pela imensidão, amiga, saciadora, azul. Adentra de cabeça. É despertado. Um momento. Tudo se torna luz. Tudo se torna razão. Nota que não é mais uma linda gaivota, é um humano. Humano, que deseja continuar estagnado. Sem motivação, ou vontades. Faltou astúcia. Servindo-se dos pratos já feitos. Aproveitando-se das coisas erradas. Esquecendo-se de como é ser gaivota.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Is this it…

A story like mine, should never be told, because my world is as fragile, as prohibited.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Minha metralhadora cheia de mágoas

Disparo contra o sol, sou forte, sou por acaso. Minha metralhadora cheia de mágoas. Eu sou um cara cansado de correr na direção contrária, sem pódio de chegada, ou beijo de namorada. Eu sou mais um cara. Mas se você achar que eu estou derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados, porque o tempo, não pára. Dias sim, eu vou sobrevivendo, sem um arranhão, da caridade de quem me detesta. Eu não tenho data pra comemorar, às vezes os meus dias são de par em par, procurando uma agulha num palheiro.