Estou. Presente do indicativo do verbo estar.
Adoro este verbo. O verbo estar é o verbo da insegurança, por mais que passe uma certeza indiscutível. Você olha para o céu, e diz: -”Está chovendo.” Maior juízo de fato do que este, não poderia haver, certo? Certo. O verbo da desconfiança, com toda certeza. Por mais que você afirme algo, por mais que diga o quanto qualquer coisa está assim ou assada, de certa forma, ela jamais estará para sempre. Portanto tudo que está hoje, pode não estar mais do mesmo modo daqui um segundo.
Eu estou feliz. É uma incerteza, pois é somente um “estado” de espírito. Uma coisa que pode ser perene, ou não. Fico com a segunda opção. Não acredito em felicidade descomedida permanente. Até porque, na minha concepção, felicidade é bem daquele jeito, feita dos pequenos momentos, ou pequenos prazeres. Se bem que, no meu caso, encontrei-a bem ali, entre os pedaços maltrapilhos de um eu que não reconheço mais, um restinho totalmente destroçado de uma felicidade antes tida como inabalável. Encontrei, e resolvi cuidar daquele pequeno e inseguro sentimento como se dele dependesse a minha vida, e de fato, dependia. Não que vida sem felicidade não exista, existe, mas creio que apenas como um jeito de ainda estar por aqui, só por dizer que está, sem se envolver com nada especificamente. Porque, cá entre nós, as pessoas começam a ficar muito mesquinhas quando são muito infelizes. Mas como tudo que é demais (para o lado bom ou ruim), dura pouco, ou apodrece mesmo, ser feliz ao extremo, assim como se tornar uma pessoa ultra-infeliz, com toda certeza não é a melhor opção. O negócio é ir no miudinho, seguindo o ritmo, nenhum pouco coordenado, da vida.
Quando digo que estou feliz, acredito que estar é mais do que um modo de sobrevivência, é um ato de solidariedade perante à mim mesma, e o próximo. Próximo este que pode ser você, ou deixe isso pra lá e utilize apenas como modo figurado. Quando estou, permito-me sentir-me bem, sabendo do que um dia pode, ou não, calhar de acontecer. Assim como uma junção de coisas boas anda me ocorrendo, pode calhar que um punhado de coisas ruins passe a me atormentar. Então, apenas digo que estou, por um breve momento, de bem com a vida. E que amanhã, como vai ser? Nunca se sabe. Mas talvez ainda esteja satisfeita com tudo o bastante pra dizer que: -”Estou bem, e não tente acabar com a minha festa, porque ela só começa quando eu chego, e só termina quando eu quero ir embora.”
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