terça-feira, 21 de abril de 2009

C'est vous, seulment vous

Tem horas que a confusão insiste em se instalar dentro do meu peito. Me dá repulsa, não gosto de sentir-me desse modo. Mas existem horas… Ah, que horas… Horas em que apenas consigo pensar em ti. Toda irritabilidade, antes sentida devido aqueles murmúrios pitorescos, foi-se. Foi-se, e perdura em não voltar, mas… Até quando?
Quando pressinto sua presença ao redor, é quase como se eu pudesse sentir o breve ardor de seu hálito quente encostar em minha nuca. E eu sinto. Sinto tanto, que me faz arrepiar. Esse arrepio tristonho, e ao mesmo tempo alucinado, que passa tão depressa por meu corpo, que mal consigo acompanhar. Não seja por isso, este arrepio é mais denso que o ar. Quase paupável, de tão instigado em viver a me acompanhar.
Ah, se soubesses como sou tão carinhosa… Penso em te fazer um leite com torradas todo dia, santo dia. Te cuidar como se fosse minha cria. Te embalar, toda noite, santa noite, como quem reza para que a tempestade demore a vir, como quem pede que os trovões jamais tornem a assustar seu pequeno bibelô.
Poder te ter em minhas mãos… Em minhas ardententes, flamejantes mãos… Seria o que de mais glorioso existe. Pois olhar em teus olhos, e decifrar tudo que se esconde no mais profundo de sua matéria, ou até mesmo observar a plenitude de sua alma, ah, isso me bastaria de um tanto, não faz idéia. Mesmo que por algum acaso, fizesse idéia do quanto é vasto o meu querer, creio que não havia de entender. As confusões sempre tornam a perseguir-me, e assim não me deixam explicar, o quanto sinto prazer em te amar.

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